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4 de janeiro de 2011

Miguel

E se eu falar que descobri nos teus olhinhos uma pequena chama que arde como aquela que brilha nos olhos de Deus?
E se eu te falar que apesar de você não ter asas, sei que teus pensamentos voam, rápidos como as asas do anjo guerreiro, indo do céu a terra em segundos?
E se eu te falar que és príncipe? Teu pai não é rei, tua mãe nem rainha é! Mas és príncipe sem coroa, herdeiro de tesouros incorruptíveis e eternos!
E se eu te falar que vi em teus grandes dedos os talentos de um futuro pianista? E no teu grande choro a potência de um grande tenor?

E se eu te falar que te escreverei mil historinhas, você as escutaria?
E se eu te falar que cantarei pra você dormir, taparia seus ouvidos?
E se eu falar que farei um incrível miojo, te dá agua na boca?
Se eu te falar que trocarei a sua fralda... ah, sabes que é mentira!

E, se um cordão prendeu a tua respiração agora estás presos por eternos laços de amor. Não tenha medo, eles não te asfixiam! Pelo contrario, agora você tem o eterno fôlego dentro de Ti, pequeno filho de Adão!

E, se esperaste até o ultimo dia do ano para nascer é porque gosta de coisas novas, de brancas paginas onde poderá desenhar o seu futuro. E te darei muito lápis de cor para isso!

E, se depois que eu te falar tudo isso você apenas sorrir, chorar ou fazer caquinha, esse seu tio se encherá de alegria! Porque você ainda não consegue entender a multidão de palavras, apenas a multidão dos afetos que te cercam.

Porque você está chegando agora e eu estou aqui pra te proteger!
Pra te ensinar a ler e escrever.
Pra rabiscar paredes ou ver TV.
Pra dançar ou orar com você.

Pra te chamar de sobrinho.

30 de setembro de 2010

Presente




'Oh, Senhor, se eu tivesse alguma coisa,
Qualquer coisa
Eu daria a você!'

(U2 - Glória)

24 de setembro de 2010

Do cuidado


Das coisas que não precisam ser ditas, mas foram.
Das coisas que não podiam ser expressas, mas expressaram.
Do sentimento que não era manifestado, mas manifestou-se.
Da amizade que não existia, mas existe.
Do cuidado que não havia, mas surgiu.
Do que não coube nas palavras e insistiu em se materializar em atos.
Amo você, Amanda!

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Jesus é tão lindo, tão lindo, tããão lindo...
Disso eu já sabia, mas minhas suspeitas foram confirmadas quando pensei em você.
Somente o Deus eterno, trino, perfeito e cheiroso poderia criar alguém como tu...
Josi, você é tããão especial.
Tua doçura ao falar, ao ouvir são provas concretas de que o Espirito Santo de Deus está sobre você. E é maravilhoso ver que, para tanto, você não precisa ser perfeito!
Todos os dias sinto sua falta... Todos os dias oro a Deus para que os teus sonhos sejam inspirados por Ele e que sejam reais.
Que tu veja o quanto é abençoado, embora pareça que as coisas dão errado, elas estão é passando pelo refinamento de God!
Tantas e tantas situações tem te causado dor... Mas pense pelo lado positivo. Quando alguém sofre um acidente e os médicos acham que a pessoa vai ficar sem os movimentos, eles biliscam, usam agulhas pra furar e cada vez que o paciente diz sentir aquela dor, eles dão um sorrisinho, porque é um bom sinal! (que trágico, hehehe).
É um sinal que tu está vivo, é um sinal de amor do Pai, que te sustenta e mantém de pé indepentende das circunstâncias...
Ahhh... sei lá porque escrevi tudo isso... Só senti vontade de te dizer (ou melhor, te relembrar) que Deus está contigo SEMPRE!
Lov u!

1 de setembro de 2010

O Bosque do silêncio




Houve um tempo em que as arvores do bosque eram falantes e animadas. Neste bosque existiam vários tipos de arvores, de Jacarandá a Pinheiro, Peroba a Acácia. Porem, no coração deste bosque estavam as mais curiosas arvores de todo o bosque: um velho Carvalho e o seu filho, Carvalhinho. Nossa história é sobre eles.

- Papai, papai! - Disse a pequena árvore afobada.
- O que foi meu filho? Até parece que viu um lenhador! - Respondeu o velho carvalho.
- Muito pior Pai! Quase agora pousou um passarinho aqui em um dos meus galhos e me disse que era um viajador! Que já voou por todo mundo e agora bate asas por aí espalhando as novidades!
- Ora, que bom! E quais as boas noticias que esse visitante trouxe?
- Nenhuma se quer, meu pai! Só trouxe desgraceira! Disse que os rios tão tudo sujo, estão matando as arvores, e, sabe esse vento que as vezes bate na gente e tem cheiro esquisito? O nome dele é poluição! Já tá tomando conta do mundo todo isso!
- Mas que besteirada! Esse passarinho deve ser é um urubu carniceiro disfarçado! Onde já se viu, vir falar uma abobrinha dessa aqui no bosque! Só vai espalhar pânico!
- Mas deve ser verdade pai, ele disse que tem a missão de contar isso pra todo mundo, pra que todos se protejam!
- Ele é um belo de um contar de causos sem vergonha, isso sim! Pra começo de conversa, Passaros nem falam!
Ambos permaneceram em silencio. Alguns minutos depois o pequeno carvalho indaga:
- Mas Pai, nós arvores tambem não falamos!
E, para a sua surpresa o velho carvalho responde:
- Tem razão meu filho, melhor ficarmos em silêncio.
E assim está até hoje. Todas as arvores caladas.

23 de agosto de 2010

O Numero 23 (Só que sem o Jim Carrey)




(Ou, um aniversário pra chamar de meu!)

Enfim, mais um aniversário. Lembro que o primeiro post deste blog foi em um aniversário meu (se eu não me engano de 18 ou 19 anos). E mais uma vez volto aqui pra soprar velas. rs.

A felicidade está nas pequenas coisas (Não, não é a Ana Maria Braga escrevendo aqui...). Mas, este principio está realmente me dominando. Ser grato a Deus pelo pão do dia ou em ver fotos de um príncipe-menino que acabou de nascer. Como diria a musica que o João Alexandre regravou 'Te vejo poeta no andar das pessoas, nessas coisas boas que a vida dá. Te vejo poeta na velha amizade, na imensa saudade que trago de lá!'

Essa é a sensação: Ver ao poeta maior!
Um poeta tão perfeito que as suas rimas se encaixam até mesmo em uma caderno sujo e rabiscado como eu.

Ontem aconteceram dois momentos dos quais me achei indigno, de verdade.
O primeiro, foi na vigília da minha Church. Já nos aproximando do final, meu pastor pediu que eu trouxesse uma palavra. Eu nem sabia o que falar, mas acabei falando uma coisas que Deus tem colocado no meu coração exatamente sobre isso, a gratidão. E pra mim foi espantoso ver as pessoas sendo abençoadas através daquilo que eu falava. Depois disso, meu pastor me teceu uns elogios que eu pensei 'Deus, esse não sou eu não!' rs.

O segundo momento, ainda no mesmo dia, foi a noite. Meu amigo foi pregar em uma igreja e acabou chamando os jovens da Church para estarem lá. Meo, foi demais. O coração daquele cara é fenomenal. Saca aquelas pessoas que observamos e pensamos 'Quando eu crescer eu quero ser assim!'. Esse é ele.

Ai, já no final da pregação, ele começou a contar uma parada que tinha acontecido com a gente. E começou a falar umas coisas de mim que eu fiquei besta. Nunca tinha me visto por este lado, de verdade. E eu não falo aqui de auto-estima baixa ou de falsa modéstia. Falo de você ver que abençoou uma pessoa de uma forma que você nunca imaginou. E ver está pessoa ali, te agradecendo...man, isso é tão especial. Foi tão marcante.
Depois do culto, teve uma 'festa do chocolate'. Um parabéns adiantado e improvisado no qual eu tive vontade de me enfiar debaixo da mesa, rs.

Acho que isso se torna uma resposta ao post em que eu falava sobre nos enxergarmos sobre o ponto de vista de outros. Deus é sábio em nos consolar.

Bom, confesso que este foi o aniversário mais meu que já tive na minha vida. Pouquíssimas ligações. Algumas mensagens no celular. Uns 4 recados no orkut. Cumprimentos e parabéns pela familia da Church e pela familia de Casa tambem. Foi isso. Foi TUDO isso!

E como estou TÃO completo!

Pensar que as pessoas que me felicitaram são aquelas que anotaram a data em algum lugar ou que tentaram no arrisco mesmo (Como diria a Ju: É hoje mesmo? Hahaha), ou ainda que trazem consigo a bagagem das comemorações anteriores, isso é tão bom! Tão rico! Tão afável! Tão imensurável!
Adoro a simplicidade dos pequenos cuidados!

E ontem, já pronto pra dormir, sai da cama pra atender a ligação de uma pessoa tão especial e querida pra mim. que mesmo tão longe mostra um cuidado e um carinho celestial. Alguém que me fez chorar igual criança ao telefone. [Droga, me pegou despreparado! hahaha].
Desliguei o telefone e na caixa postal tinha uma mensagem de um grande amigo da igreja.

Quando voltei pra cama, parecia que Jesus ia sair de dentro do guarda-roupa com um bolo e transformar dolly em Coca! =D

23... Tanta coisa pra conquistar!
Um monte de sonhos guardados aqui! Prontos pra ganharem forma, vida!

Obrigado Deus, porque Te vejo nas pequenas coisas!
Com meus mais novos 23 anos quero gritar: O Amor Reina!

=D

3 de agosto de 2010

Senta lá, Claudia!




O cenário é inusitado para um programa de TV. Crianças tocam o terror enquanto a apresentadora iniciante, sob gritos e ameaças, tenta instaurar a ordem no local e acalmar os ânimos. Eles gritam, correm, perguntam, não se posicionando e não dão a mínima para ela e seus apelos: ‘Ajuda eu!’.

Isso não estava previsto no roteiro do programa. Assim como não pode ser previsto em uma ficha de aula.

Quando o projeto começou imaginava as salas de aulas como a terra dos ‘ursinhos carinhosos’: alunos sempre felizes e dispostos a aprender. Respeitando-se mutuamente e compartilhando sempre. Afinal é oficina de vídeo, é algo novo, é uma oportunidade, é de graça, é legal... e encontra inúmeros motivos para justificar o interesse e desinteresse dos alunos.

O que eu não havia me dado conta, até então, é que antes de tudo cada aluno é um ser único. Que trás uma bagagem que não pode ser prevista em nenhuma ficha de aula. Desminto então aqui o jargão de que ‘Criança é tudo igual’. Isso é uma grande mentira!

Nem toda criança brinca, nem toda criança sorri, nem toda criança tem a família do comercial de margarina com papai, mamãe, irmãos e cachorrinho. Aliás, algumas crianças não possuem nem margarina ou tão pouco pão para tomar café da manhã.

Entrar na área da educação me colocou em contato com realidades até então camufladas pela sociedade. E, como diria a canção do Palavra Cantada: ‘Criança não trabalha, criança dá trabalho!’.

É incrível a necessidade afetiva que as crianças e adolescentes possuem. E, quero aproveitar este texto, para destacar algumas falas de alunos que me fizeram crescer e refletir muito e pensar sobre as suas reais necessidades.

Eles precisam compartilhar:

‘Desde que meu Pai saiu de casa estou em depressão. Tenho ido ao psicólogo. Olho as pessoas em volta dando risada e penso: eu não pertenço a este lugar. Só eu não estou feliz...’

Eles precisam suprir faltas:

‘No meu aniversario meu pai, que não mora mais com a minha mãe, me deu três celulares, duas câmeras digitais, um computador, muitas bonecas...’ – e a lista seguia, porém as roupas batidas denunciavam a verdade.

Eles precisam saber e ter algo em comum:

‘-Tio, você viu o filme da Barbie e o Castelo de Diamantes? E o da Vida de Sereia? E o da Rapunzel? E o das Três Mosqueteiras? E o do Lago dos Cisne?...’ – E por ai seguia a filmografia da melhor atriz de todos os tempos: Barbie! (E o mais curioso de tudo é que eu realmente já havia assistido a estes filmes!).

Eles precisam agradecer:

‘É a primeira vez que pego na câmera!’

Eles precisam protestar e questionar:

‘Eu não quero ficar aqui! Quero ir pra piscina!’

São muitos rostos, muitas histórias, muitas personalidades, muito tudo.

E agora, escrevendo esta reflexão, me dou conta de como tudo isso me fez bem. Trabalhei com pessoas excepcionais com as quais aprendi muito. E não falo isso cumprindo a formalidade de agradecimentos finais, mas sim, reverenciando a pessoas que posso sem dúvida alguma chamar de mestres e artistas naquilo que fazem.

E, adaptando uma frase do C.S. Lewis termino esta reflexão dizendo que ‘entrar em sala de aula não vai, primordialmente, mudar os alunos. Mas irá mudar a mim mesmo!’

Senta lá, Josi!

24 de junho de 2010

Não parem o Liquidificador!


Lembro de mim mesmo, um cotoco de gente, morando em uma casa de chão de barro com meus pais e meus irmãos. Existia entre nós mais um inquilino, um velho rádio que tocava LP e nos fazia cantar, esquecendo um pouco o que acontecia ao nosso redor. Vejo o meu pai contando historinhas antes de dormirmos! Lembro da minha mãe lavando roupa em uma bacia. Lembro da Gra com a língua presa no congelador. Lembro do Ma arrebentando as havaianas e arrumando com um prego. Lembro da Nê jogando pedras na casa da Cristiane (uma vizinha Bruxa). Lembro quando a noite, sentavamos todos em volta da TV, depois que meu pai chegava do trabalho, e nos amontoávamos no único quarto da casa pra assistir o Jornal Nacional.
Depois de pedir benção aos nossos pais, dormíamos todos.
Existiam apenas dois 'instrumentos sonoros' na casa. O primeiro, um liquidificador. Todas as vezes que ele era ligado, não importa o que estavamos fazendo, a gente se levantava em um pulo e começava a dançar! Tinhamos que dançar até o som parar, quem parasse antes estava eliminado! Era sempre uma festa! O segundo instrumento, era o velho rádio. Eu e meu irmão vibravamos com o nosso LP do Jaspion, enquanto as minhas irmãs ouviam a Xuxa (que eu nunca entendia porque ela estava dentro de uma banheira! Tenso). E no meio disso tudo, acrescentavam-se vozes de crianças animadas.
Os Gibis da Turma da Mônica.
Os episódios de Glub-Glub.
Os desenhos na mesa amarela.
As 'cabaninhas' feitas na beliche.
Os banhos de caneca com agua quente.
...
...
Enquanto o liquidificador batia a vitamina de banana, nos jogavamos no liquidificador medos, tristezas, esperanças, sonhos e fé.
Quem foi que disse que dinheiro traz felicidade?